O ORIENTE NO TEATRO DE ANTUNES FILHO:
contribuições do misticismo oriental para a arte do intérprete do CPT
Antunes Filho; Oriente; misticismo oriental; CPT; formação do ator.
O presente trabalho teve como objetivo investigar conceitos e proposições filosóficas
do misticismo oriental – em especial o zen-budismo e o taoismo – e analisar como tais
concepções foram manipuladas pelo diretor teatral Antunes Filho (1929-2019) no seu
pensamento artístico e no desenvolvimento do seu método de formação de atores.
Para isso, foi realizado um estudo histórico minucioso em que se verificou que o
Oriente, mesmo que subjetivamente, já se evidenciava na visão de mundo do diretor
desde o início de sua carreira. Ademais, a pesquisa verificou que a influência oriental
foi constatada, objetivamente e pela primeira vez, na sua montagem de As aventuras
de Peer Gynt (1971). Além dessa, na sequência, o Oriente é nitidamente referencial
na criação das peças A hora e vez de Augusto Matraga (1986) e Paraíso zona norte
(1989). Afora o recorte histórico, a pesquisa se debruçou em examinar alguns
exercícios específicos (caminhada, loucura, Maria Callas e bolha) criados pelo diretor
em que o vínculo com certas premissas do zen e do Tao foi apontado de forma direta.
Para além da bibliografia referenciada, foram realizadas entrevistas com os ex-
integrantes do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) de Antunes Filho. Ao final, conclui-
se que a filosofia oriental foi essencial para a consolidação da metodologia
interpretativa criada por Antunes Filho, assim como para a sua estética e poética
teatral.