O ZABUNDEIRO: ARTE, TÉCNICA E CONTRIBUIÇÕES PARA INOVAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM. UMA SISTEMATIZAÇÃO: NOTACIONAL, CONCEITUAL, GESTUAL, ERGONÔMICA E IDIOMÁTICA.
Pandeiro brasileiro; Zabundeiro; Técnica estendida; Biomecânica da performance; Engenharia assistiva.
O presente projeto investiga o "Zabundeiro", uma técnica estendida para o pandeiro brasileiro desenvolvida pelo percussionista Daniel Guedes, que consiste na utilização de uma baqueta manejada pela mesma mão que sustenta o instrumento, permitindo a percussão do fuste simultaneamente à execução tradicional. O fenômeno é analisado sob as lentes da Antropofagia Cultural (Andrade, 1928) e da Hibridação (Canclini, 2006), representando uma interface entre a linguagem rítmica da zabumba e a versatilidade do pandeiro. Apesar de seu potencial estético, a técnica impõe desafios severos, como a alta complexidade biomecânica que gera fadiga ao músico, a lacuna pedagógica por falta de sistematização notacional e limitações organológicas do instrumento. A pesquisa situa o objeto no campo das técnicas estendidas (Cherry, 2009) e propõe a adaptação do sistema notacional de Carlos Stasi para documentar a técnica. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma Pesquisa de Desenvolvimento interdisciplinar, estruturada em análises sonológicas/estruturais de gêneros como Samba e Baião, estudos biomecânicos das pegadas manuais e a aplicação de engenharia assistiva para a criação de um dispositivo de suporte inédito acoplado ao fuste do instrumento. O objetivo geral é elaborar, a partir dos preceitos biomecânicos, estratégias pedagógicas visando a otimização da execução e do ensino/aprendizagem do Zabundeiro. Espera-se, como resultados, a elaboração de estratégias didático/pedagógicas baseadas nas informações biomecânicas obtidas somadas ao uso das “Time Lines” dos gêneros Samba e Baião e a validação do Zabundeiro como uma técnica contemporânea, robusta e acessível.