Banca de QUALIFICAÇÃO: MICHEL ALVES ANTONUCCI

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MICHEL ALVES ANTONUCCI
DATA : 27/02/2026
HORA: 16:30
LOCAL: Google Meet (online)
TÍTULO:

Uma fenomenologia do vazio a luz das tradições contemplativas


PALAVRAS-CHAVES:

Consciência, Vazio, Introspecção. Budismo


PÁGINAS: 52
RESUMO:

Esta dissertação sob uma perspectiva interdisciplinar se propõe a correlacionar três diferentes metodologias de investigação em primeira pessoa onde apontam-se caminhos, análises teórico-conceituais, metodológicas e prático-empíricas para a compreensão da experiência consciente ou subjetiva e da ideia fenomênica de vazio consciencial. Entre as metodologias que serão utilizadas, destacam-se o uso da psicologia introspectiva a partir de Vermesch, da fenomenologia e de suas reduções fenomenológicas a partir do pensamento Husseraliano, Depraz e Varela e das tradições contemplativas em meditação a partir de Wallace, Varela, Shear e Jevning. Partindo da perspectiva que para o amadurecimento de uma ciência da consciência, a investigação dos fenômenos subjetivos assim como da interpretação dos mesmos a partir de investigações em primeira pessoa possam trazer contribuições valiosas para as pesquisas em uma ciência da consciência, esse trabalho procura demonstrar articulações possíveis entre os achados metodológicos da psicologia introspectiva, fenomenológicos e das tradições contemplativas orientais.

Na primeira parte, contextualiza-se do ponto de vista histórico e define-se do ponto de vista metodológico, às três principais abordagens de investigação em primeira pessoa utilizadas até então, sendo elas: 1- a introspecção da psicologia científica do final do século XIX e início do século XX; 2- à tradição fenomenológica Husserliana e sua ideia de redução fenomenológica; 3- e às tradições contemplativas e seus métodos empíricos de meditação. O abandono da introspecção enquanto investigação em primeira pessoa e o descrédito desta por parte das pesquisas atuais em neurociência e sua retomada enquanto possibilidade epistemológica de investigação científica da consciência, são apresentados a partir de Vermersch onde esse ressalta que tais métodos não foram devidamente explorados e que estes podem receber um novo fôlego a partir de investigações interdisciplinares entre introspeccionismo e fenomenologia. Por outro lado, a partir de Depraz e Varela, as pesquisas fenomenológicas em específico a prática das reduções, são apresentadas como um caminho teórico e epistemológico para se pensar os métodos de investigação em primeira pessoa. Enquanto um projeto de uma fenomenologia que forneça um procedimento prático para o acesso à algum domínio fenomenal, os autores apresentam às reduções fenomenológicas em um sentido polissêmico, enquanto variados modos de se praticarem estas, não reduzindo-as ao projeto husserliano inicial, mas amplificando-as. As pesquisas de Varella e da sua neurofenomenologia são utilizadas como uma interface entre fenomenologia e as ciências cognitivas, tendo em vista a importância metodológica e interdisciplinar do cruzamento de achados empíricos das pesquisas em primeira pessoa e dos dados obtidos em investigações neurofisiológicas. Na tríade metodológica de investigação em primeira pessoa (introspecção-fenomenologia-meditação), serão analisados a partir de Husserl, Vermesch e Varela algumas de suas propostas metodológicas para se aprimorar às pesquisas em introspecção a partir do acréscimo interdisciplinar com a fenomenologia, a neurofenomenologia e às tradições contemplativas e seus métodos empíricos de meditação. Após definir à redução fenomenológica como método de investigação em primeira pessoa para essa pesquisa, esclarece-se qual tipo de redução foi adotada e os motivos teóricos e epistemológicos de sua escolha para analisarmos a ideia de consciência pura a partir de uma fenomenologia do Vazio a luz das Tradições contemplativas.

Na segunda parte, através das pesquisas de Varela inicia-se o exercício de situar às tradições contemplativas enquanto um corpo teórico que pode ser compreendido como parte de um dos campos de investigação dentro escopo da filosofia da mente. É demonstrado aspectos metodológicos e práticos utilizados pelas tradições contemplativas dos quais configurem-na enquanto um tipo de fenomenologia, assim como de uma práxis de redução fenomenológica. Após contextualizada às tradições contemplativas enquanto um campo fenomenológico, investiga-se a partir de Varela, Shear e Jevning como seus métodos podem ser compreendidos enquanto um autêntico exercício da prática de reduções, podendo contribuir do ponto de vista empírico e metodológico para às pesquisas em primeira pessoa. Os conceitos advindos das tradições contemplativas de Pura consciência e Vacuidade serão compreendidos a partir de Shear, Jevning e Wallace, sendo estes analisados enquanto uma forma de fenomenologia própria, que confluem para a ideia de uma fenomenologia do vazio. A ideia de laboratório da própria experiência é pensada a partir de Harris, ao compreender que os métodos de meditações praticados a luz das tradições contemplativas, são autênticos experimentos fenomênicos de investigações das experiências subjetivas em primeira pessoa. É apresentado que estes laboratórios são auto conduzidos por seus praticantes a partir de orientações metodológicas e empíricas precisas, podendo compreende-los enquanto um autêntico método de uma fenomenologia que vá ao ato em seu exercício de redução como apontado por Vermesch. A prática de uma redução fenomenológica da experiência do vazio e da pura consciência são explicadas através de Wallace, onde o autor apresenta os métodos contemplativos de Shamata e Vipassana dos quais propiciam a construção de uma prática empírica para a investigação de tais fenômenos em primeira pessoa.

Na terceira e última parte, é trago ao cerne das discussões alguns dos possíveis problemas quanto aos métodos de investigação em primeira pessoa analisados ao longo dessa dissertação. Destacam-se aqui: 1- através de Varela à questão se a experiência de fato pode ser explorada, enquanto uma objeção desde o início. 2- os possíveis problemas hermenêuticos e fenomenológicos apontados por Shear e Jevning acerca das práticas meditativas pertencentes as tradições contemplativas. 3- a falácia da escavação ou objeção hermenêutica e a divisão sujeito-objeto são apontados por Varella, Kordes e Markic. 4- os graus de cegueira quanto aos métodos de primeira pessoa são apontados, por Varela. 5- a pesquisa empírica em primeira pessoa e alguns dos problemas compartilhados pelas técnicas Budistas de investigação, assim como o alcance limitado da introspecção são apontados e analisados por Kordes e Markic e 6- à ideia de divisão enganosa entre o interior e o exterior são apontados por Varela.

No que tange à prática de uma redução fenomenológica que não se reduza a investigação teórica como apontado por Vermesch, sendo esse um problema fundamental deixado pela tradição husserliana não sendo resolvido pelas gerações posteriores de fenomenologos, é mostrado a partir do autor que diante do fato dos mesmos não desenvolverem uma fenomenologia que responda de forma prática frente às experiências subjetivas em primeira pessoa, necessita-se então discutir, outras implicações metodológicas. Entre estas implicações evidencia-se a partir de Shear, Jevning e Wallace, através da utilização dos métodos de meditação oriundos das tradições contemplativas enquanto modelos práticos de uma forma específica de redução fenomenológica que possa trazer respostas frente às investigações em primeira pessoa. Shear aponta a ideia de consciência pura e que estamos definindo aqui, enquanto uma forma de fenomenologia do vazio como um modo promissor de investigação fenomenológica da consciência em primeira pessoa, onde serão discutidos os seus pontos favoráveis, mas também a dificuldade de se colocar em prática tais métodos como apontados por Varela, Vermesch entre outros. Ao final dessa dissertação, é defendida enquanto promissora à pesquisa sobre à redução fenomenologica praticada a partir das tradições contemplativas de meditação, assim como às pesquisas de Varela pela perspectiva de sua Neurofenomenologia. No corpo da filosofia da mente, esta última ganha destaque pelo fato de estarmos diante de uma fenomenologia que abarque ao mesmo tempo, os dados subjetivos e fisiológicos propiciando um elo interdisciplinar entre às fenomenologias, os métodos de meditação empíricos oriundos das tradições contemplativas e as neurociências. Ao buscar essa confluência metodológica entre estas distintas disciplinas investigativas da consciência em primeira com os acréscimos aos dados de terceira pessoa, Varela faz da sua metodologia neurofenomenológica, um promissor caminho a ser trilhado para investigações futuras para o avanço de uma ciência da consciência que interseciona-se às os métodos de pesquisa em primeira e em terceira pessoa.  


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1716250 - GUSTAVO LEAL TOLEDO
Interno - 1550948 - MARCO AURELIO SOUSA ALVES
Notícia cadastrada em: 19/02/2026 17:01
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