O turismo no Brasil e seus efeitos econômicos regionais:
uma abordagem espacial entre os anos de 2013 a 2024
Turismo, Desenvolvimento Econômico, Econometria Espacial,
Transbordamento Espacial.
A presente dissertação objetivou examinar a relação entre o turismo e o desenvolvimento
econômico nos estados brasileiros, investigando a natureza da dependência e dos efeitos
de transbordamento (spillover) espacial entre unidades federativas vizinhas. Para isso, a
metodologia empregou a Econometria Espacial, com análises realizadas nos softwares
Geoda e R Studio, aplicando modelos como o I de Moran Global e local (LISA), OLS,
SAR, SEM, SLX que permitem a decomposição e análise dos impactos diretos, indiretos
e totais dos fatores econômicos. A análise se baseou em dados anuais de 2013 a 2024 e o
foco metodológico foi estabelecido após as variáveis primárias de estímulo e resposta do
setor que apresentaram autocorrelação espacial significativa no I de Moran Pooled e
Cross-Section, centrando-se nas interações entre Fluxo de Turismo Estrangeiro, Fluxo de
Turismo Doméstico, Renda do Turismo e Emprego no Turismo. Estas foram controladas
por PIB e Número de Prestadores de Serviços Turísticos (capacidade econômica e de
serviços do estado), Infraestrutura Hoteleira (Leitos) e Desigualdade de Renda (GINI)
(fatores estruturais de desenvolvimento). Os principais resultados demonstram a
existência de autocorrelação espacial positiva no fluxo de turistas estrangeiros,
confirmada por impactos indiretos que são condutores da Renda e do Emprego no
turismo. Os Impactos Indiretos confirmam a interdependência espacial, especialmente no
fluxo de turistas (os vizinhos importam para onde o turista vai), mas sugerem que os
estados não estão se beneficiando integralmente dos spillovers econômicos gerados, o que
resulta na concentração da riqueza. Ademais, o estudo identifica que a Desigualdade de
Renda (GINI) é estatisticamente prejudicial à geração de Renda e Emprego no setor, e
que a Infraestrutura Hoteleira (Leitos) demonstra um trade-off, apresentando impacto
positivo nos agregados econômicos, mas negativo nos fluxos de turistas, o que levanta o
paradoxo de "Quantidade versus Qualidade" na expansão da oferta. Concluiu-se que a
promoção do turismo estrangeiro deve ser regionalmente coordenada para otimizar o
spillover de visitantes, reforçando a necessidade de políticas de planejamento e
coordenação regional. Os resultados, ao decompor os Impactos Diretos, Indiretos e
Totais, fornecem subsídios para a formulação de estratégias que considerem os fatores
estruturais de desenvolvimento na busca por reduzir as disparidades regionais e aprimorar
a gestão da infraestrutura turística no país.