Entre o Jongo e o Mandombe: uma proposta de retomada do Pensamento Científico Africano
Jongo; Mandombe; Panafricanismo Pensamento científico africano
Vivemos um período da história que poderíamos considerar um vórtice. Se por um lado a máquina desenfreada do capitalismo com sua vertiginosa voracidade ameaçato da a vida planetária, também em oposição a esse mesmo panorama diversos movimentos de objeção à extinção da vida buscam soluções a essa ameaça. Um desses movimentos é o panafricanismo que, pregando peças aos programadores da máquina vem decifrando os mistérios da falsificação histórica em prol da consciência histórica. Se por um lado a ciência é uma das chaves mestras do capitalismo, para a busca compulsiva e desenfreada pelo lucro, do controle mental da população, e da superexploração tanto da humanidade quanto da natureza em escala planetária, por outro é a lente que nos aprofundou em nossa relação com a natureza e organizou a manutenção da espécie humana. É essa a mesma ciência que pode desencadear processos de desalienação em massa. Existem hoje muitos indícios de que essa ciência é originada na África, e que sua prática, fundamentada nos conceitos originais dessa disciplina, pode torná-la uma ferramenta importante para a perpetuação da vida no planeta. Contudo, esta pesquisa tem como objetivo trazer à baila as tradições africanas como técnicas produtoras de conhecimento científico, estudamos aqui duas dessas tradições, o Jongo, uma tradição oral afrobrasileira trazida pelos povos kongo Ndongo no contexto do colonialismo escravista, e o Mandombe, uma tradição escrita da República Democrática do Congo em 1978, com proposta definida de restauração do pensamento científico africano. A pesquisa propõe, portanto, a fusão dessas duas tradições visando a criação de um método de ensino do Mandombe a partir da tradição dos tambores do Jongo, dialogando também com a cultura científica desenvolvida na modernidade, para o estudo e proposição de uma ciência mais consciente, amorosa e revolucionária.