SÍNTESE, CARACTERIZAÇÃO E AVALIAÇÃO IN VITRO, IN SILICO E IN VIVO DE ANÁLOGOS DO ZINC390718 COMO INIBIDORES DE ACETILCOLINESTERASE E BUTIRILCOLINESTERASE PARA O COMBATE À DOENÇA DE ALZHEIMER
Doença de Alzheimer, Diarilcetonas, Inibidores de Colinesterases
A Doença de Alzheimer (DA), caracterizada por Alois Alzheimer em 1907, é um transtorno progressivo, degenerativo e fatal, iniciado em regiões encefálicas relacionadas à memória, espalhando-se pelo encéfalo e culminando na morte. Representa a principal causa de declínio cognitivo em idosos, com prevalência que aumenta de 0,7% entre 60–64 anos para cerca de 40% em indivíduos entre 90–95 anos, e mais de 10 milhões de novos casos de demência surgem anualmente no mundo, impulsionados pelo envelhecimento populacional. Diante da limitação das terapias atuais, a busca por novos inibidores de colinesterases com maior seletividade, eficácia prolongada e menor toxicidade tem sido intensa, utilizando estratégias de Química Medicinal, como modelagem molecular, desenho racional de fármacos, síntese direcionada e ensaios bioquímicos. Neste estudo, 24 diarilcetonas foram sintetizadas pelo método de Claisen–Schmidt, as quais foram inspiradas pelo protótipo ZINC390719, incorporando os princípios da Química Medicinal como rigidificação conformacional e bioisosterismo de anel com o intuito de a melhorar afinidade e seletividade. Estudos de docking revelaram altas afinidades energéticas destes compostos para AChE (−7,4 a −9,2 kcal/mol) e BuChE (−6,8 a −8,6 kcal/mol), com interações π-π e hidrofóbicas relevantes com resíduos-chave dos sítios ativos. A atividade anticolinesterásica dos compostos sintetizados foi avaliada pelo método de Ellman, onde os compostos 13 e 23 apresentaram inibição dual satisfatória, com valores de IC₅₀ inferiores aos do ZINC390718. A diarilcetona 13 demonstrou maior potência, exibindo menores valores de IC₅₀ tanto para AChE quanto para BChE em comparação ao 23. Ensaios in vivo em modelos de DA mostraram que o composto 13 promoveu efeitos neuroprotetores expressivos, incluindo aumento da densidade neuronal no hipocampo, modulação positiva da resposta astrocitária e redução de alterações histopatológicas associadas à neurodegeneração. Esses achados indicam que as diarilcetonas avaliadas constituem candidatos promissores para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas na Doença de Alzheimer.