INVENTARIAÇÃO DO PATRIMÔNIO MINERÁRIO DA SERRA DO LENHEIRO, SÃO JOÃO DEL-REI/MG, COMO ESTRATÉGIA CONSERVACIONISTA.
Serra do Lenheiro, Patrimônio Minerário, Geoconservação
Mineração e geoconservação possuem objetivos diferentes com relação aos elementos da geodiversidade. As atividades minerárias tendem a utilizar os recursos abióticos como um bem que pode ser mensurado economicamente, passível de exploração e necessário para o desenvolvimento do homem na sociedade e seu bem-estar. Por outro lado, a geoconservação objetiva a proteção do patrimônio geológico. A atividade extrativista mineral foi e ainda é imprescindível para o desenvolvimento das sociedades. Além de fornecer matérias-primas para inúmeras atividades recorrentes, a extração mineral também é responsável por gerar o que se pode chamar de patrimônio minerário. Esse patrimônio está relacionado com o conteúdo material (ruínas, pedreiras, estruturas, equipamentos), assim como os aspectos intangíveis ou imateriais (cultura, memória, saberes, costumes) da atividade de mineração. Apesar da grande difusão em outros países, o Brasil, especialmente o estado de Minas Gerais, que guarda no seu território estruturas e resquícios da exploração aurífera durante o Ciclo do Ouro no Brasil Colônia e período Imperial, representando um rico acervo a ser explorado, o qual apresenta poucos levantamentos sobre o assunto, principalmente pela falta de metodologia específica. A presente pesquisa tem como principal elemento condutor a proposta de discussão e utilização de metodologia para o levantamento do patrimônio relacionado à mineração, com base em experiências internacionais, mas que atendam a realidade brasileira. Essa metodologia subsidiaria a inventariação, quantificação, classificação, conservação, valorização e monitorização desse patrimônio, compreendendo uma expressiva e dinâmica ferramenta de preservação e divulgação de tais atributos. Essa pesquisa tem como área de estudo a Serra do Lenheiro (localizada no município de São João del-Rei) que ganhou notoriedade pela descoberta de grande quantidade de ouro no princípio do século XVIII, apresentando uma história de aprimoramento, utilização e exploração de recursos que deixou marcas e resquícios fundamentais para essa proposta.