OCORRÊNCIA E PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INFECÇÕES POR Leishmania infantum E Trypanosoma cruzi EM CÃES DOMICILIADOS NA ZONA RURAL DOS MUNICÍPIOS DE CAMACHO E ITAPECERICA, EM MINAS GERAIS.
Leishmania infantum; Trypanosoma cruzi; cães; vigilância epidemiológica; zoonoses; Saúde Única.
A leishmaniose visceral e a doença de Chagas são zoonoses parasitárias de relevância em saúde
pública, cujos ciclos de transmissão envolvem vetores, hospedeiros domésticos e silvestres.
Nesse contexto, os cães podem desempenhar importante papel epidemiológico, atuando como
reservatórios domésticos de Leishmania infantum e como sentinelas da circulação de
Trypanosoma cruzi. Este estudo avaliou evidências de exposição e infecção por L. infantum e T.
cruzi em cães domiciliados de comunidades rurais dos municípios de Camacho e Itapecerica,
Centro-Oeste de Minas Gerais. Foram avaliados 279 cães, com obtenção de dados clínicos e
epidemiológicos e realização de testes sorológicos e moleculares. Para L. infantum, 13,7%
(38/277) dos cães foram reagentes ao DPP®, 40,1% (112/279) ao ELISA e 0,7% (2/279)
positivos pela qPCR, sendo 8,6% (24/279) simultaneamente reagentes ao DPP® e ELISA. Para
T. cruzi, 6,4% (17/265) foram reagentes à hemaglutinação indireta e 1,1% (3/276) positivos pela
qPCR. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os municípios para
os métodos avaliados. A maioria dos cães (63,1%) foi classificada como assintomática,
evidenciando a limitação da vigilância baseada exclusivamente em manifestações clínicas. As
diferenças entre os resultados sorológicos e moleculares reforçam a necessidade de interpretação
integrada dos métodos diagnósticos, considerando suas características de sensibilidade e
especificidade, estágio da infecção, parasitemia e matriz biológica analisada. Os achados
demonstram a circulação de L. infantum e T. cruzi na população canina das comunidades rurais
investigadas e reforçam a importância dos cães como componentes da vigilância territorial
dessas zoonoses. A integração da vigilância animal, humana e ambiental pode contribuir para o
reconhecimento de áreas sob risco e para o direcionamento de ações de prevenção e controle
sob a perspectiva One Health.