ASSOCIAÇÃO ENTRE A FORMAÇÃO E O TEMPO DE PERMANÊNCIA DE MÉDICOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA E INTERNAÇÕES POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA: ESTUDO ECOLÓGICO NAS CIDADES MÉDIAS
BRASILEIRAS
Atenção Primária à Saúde; Medicina de Família e Comunidade; recursos
humanos em saúde; hospitalização; internações por condições sensíveis à atenção primária.
Introdução: a Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o eixo estruturante dos sistemas
universais de saúde, e a força de trabalho médica, particularmente a formação em Medicina
de Família e Comunidade (MFC) e a estabilidade dos profissionais nas equipes, é apontada
como determinante de seu desempenho. Objetivo: investigar a influência da proporção de
médicos com formação em MFC e do tempo de permanência dos médicos na APS sobre a
taxa de internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP) em municípios
brasileiros de médio porte. Método: estudo ecológico transversal, censitário, envolvendo os
289 municípios brasileiros com população entre 100.000 e 500.000 habitantes em 2025. As
exposições foram a densidade de médicos com formação em MFC e a mediana do tempo de
permanência dos médicos na Estratégia Saúde da Família, obtidas no Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde. O desfecho foi a taxa de ICSAP por 1.000 habitantes. As
associações foram avaliadas por regressão linear simples e múltipla, com ajuste por
características contextuais dos municípios. Resultados: a taxa de ICSAP apresentou mediana
de 8,28 por 1.000 habitantes. Médicos com formação em MFC apresentaram maior tempo de
permanência na APS do que os demais (mediana de 25 versus 15 meses; p<0,001). Não foi
observada associação estatisticamente significativa entre a densidade de MFC e a taxa de
ICSAP (β ajustado=0,16; IC95%: -1,09 a 1,41; p=0,805), tampouco entre o tempo de
permanência e o desfecho (β ajustado=0,03; IC95%: -0,03 a 0,08; p=0,294). O modelo
ajustado explicou 10,4% da variabilidade das taxas de ICSAP entre os municípios.
Conclusão: apesar da maior permanência observada entre os médicos com formação em
MFC, nem essa formação nem o tempo de permanência apresentaram associação
independente com as taxas municipais de ICSAP, resultado que deve ser interpretado à luz
das limitações da agregação municipal e da baixa disponibilidade desses profissionais no
país.