HESITAÇÃO VACINAL ENTRE PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: REVISÃO DE ESCOPO
Atenção Primária à Saúde; Pessoal de saúde; Hesitação vacinal.
RESUMO
Introdução: Apesar da comprovada evidência científica sobre a eficácia e a segurança da vacinação na prevenção de doenças imunopreveníveis, a hesitação vacinal permanece como um dos principais desafios para a saúde pública mundial. Esse fenômeno é complexo e multifatorial, sendo influenciado por condicionantes cognitivos, emocionais, sociais, culturais, políticos e contextuais, que afetam tanto a aceitação quanto a recusa ou adiamento da vacinação. Entre os profissionais de saúde, condicionantes como conhecimentos, atitudes, crenças, percepções de risco, confianças nas vacinas e nos sistemas de saúde, além de experiências pessoais e profissionais, podem influenciar não apenas a decisão individual de se vacinar, mas também a recomendação vacinal fornecida aos usuários dos serviços de saúde. Considerando que esses profissionais desempenham papel estratégico na construção da confiança da população e na promoção da adesão às vacinas, compreender os condicionantes associados à hesitação vacinal nesse grupo é fundamental, para subsidiar políticas, estratégias e intervenções capazes de fortalecer as coberturas vacinais e a sustentabilidade dos programas de imunização. Objetivo: Mapear as evidências acerca dos condicionantes que influenciam a hesitação vacinal entre profissionais da Atenção Primária à Saúde. Método: Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme a metodologia proposta pelo Joanna Briggs Institute e reportada segundo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses for Scoping Reviews. O protocolo da revisão está registrado e publicado na plataforma Open Science Framework (https://osf.io/3cezb). Foram incluídos estudos e documentos que abordam a hesitação vacinal entre profissionais de saúde atuantes na atenção primária à saúde, contemplando diferentes categorias profissionais com destaque para médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, em virtude de sua atuação direta nas ações de vacinação. Foram considerados estudos quantitativos, qualitativos e de métodos mistos, bem como documentos institucionais, relatórios técnicos e outras fontes de evidência relevantes para a temática. Foram excluídas revisões de literatura, projetos de pesquisa, resumos e trabalhos publicados em anais de eventos científicos, além de documentos sem acesso ao texto completo. A busca foi realizada nas bases de dados: PubMed (NLM/NCBI), Web of Science (Clarivate Analytics), Embase (Elsevier), Scopus (Elsevier), Cinahl (Ebsco), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Index Psi Periódicos (Biblioteca Virtual em Saúde), Portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PSYciNFO (American Psychological Association), OpenGrey, ProQuest Dissertations & Theses Global™, LIVIVO, Theses Canada, Google Scholar, Portal de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Não foram aplicadas restrições quanto ao idioma de publicação ou recorte temporal. Adicionalmente, as listas de referências dos estudos incluídos foram examinadas para identificação de evidências complementares. A seleção dos estudos, bem como a extração de dados, foi conduzida por duas revisoras independentes, com instrumento adaptado das recomendações do Joanna Briggs Institute. Os resultados serão apresentados por meio de tabelas, quadros e síntese narrativa, possibilitando a caracterização das evidências identificadas e dos principais condicionantes relacionados à hesitação vacinal entre profissionais da Atenção Primária à Saúde.