Desenvolvimento de uma nova molécula para o diagnóstico da dengue.
Dengue 1. Diagnóstico laboratorial 2. Bioinformática 3.
A Dengue permanece como um importante problema de saúde pública, especialmente no Brasil, onde apresenta comportamento endêmico e períodos de grandes epidemias. Em 2024, o país enfrentou sua maior epidemia registrada, com mais de 6,6 milhões de casos prováveis e mais de 5,5 mil óbitos confirmados, evidenciando a necessidade de estratégias diagnósticas cada vez mais eficientes.
O diagnóstico da Dengue ainda apresenta desafios relacionados à janela diagnóstica, variabilidade de desempenho e possibilidade de reações cruzadas com outros arbovírus, principalmente em regiões onde circulam simultaneamente Dengue, Zika, Febre Amarela e outros flavivírus.
Diante disso, o presente estudo teve como objetivo identificar e caracterizar, por meio de ferramentas de Bioinformática, epítopos antigênicos do vírus da Dengue com potencial aplicação em ensaios sorológicos. Nesse contexto, a proteína NS1 foi escolhida como alvo por sua importância no ciclo viral e por sua utilização como marcador no diagnóstico precoce da Dengue. O estudo teve como foco o DENV-2, especialmente o genótipo Cosmopolita, que vem apresentando expansão no Brasil, comparando-o com o genótipo Asiático-Americano.
Dois epítopos triados por Bioinformática e sintetizados, chamados de PEPD1 e PEPD2, passaram por testagem de Elisa, sendo importante destacar que este estudo representa uma prova de conceito inicial. Ainda são necessárias novas etapas de padronização e validação experimental, incluindo a avaliação de maior número de amostras e diferentes condições do ensaio.
Como perspectiva, pretende-se avançar na validação destes candidatos e contribuir futuramente para o desenvolvimento de um produto diagnóstico nacional potencialmente mais específico e promissor, acessível e adaptado à diversidade genética do vírus da Dengue circulante no Brasil, contribuindo para a identificação precoce da Dengue e evitando os casos graves da doença que geram elevados custos para o Sistema Público de Saúde.