SOBRECARGA MATERNA NO CUIDADO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
Transtorno do Espectro Autista; Saúde da Família; Cuidadores; Saúde Mental; Desenvolvimento Infantil.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por alterações persistentes na comunicação social, interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. Nos últimos anos, registou-se um aumento significativo da prevalência do TEA em nível mundial, incluindo o Brasil com cerca de 1,2 % da população, devido aos avanços nos critérios diagnósticos, maior conscientização social e ampliação do acesso aos serviços de saúde. Diante disso, torna-se fundamental entender não apenas as características das crianças diagnosticadas, mas também os impactos do transtorno sobre o contexto familiar, especialmente na vida das mães, que normalmente assumem o papel principal no cuidado. Assim, a presente pesquisa teve como objetivo analisar a frequência de crianças com TEA atendidas em um Centro Municipal de Apoio Educacional Especializado (CMAEE) no município de Carmo do Cajuru-MG, além de identificar o perfil sociodemográfico das crianças e de suas mães, bem como avaliar aspectos relacionados ao contexto familiar e a sobrecarga materna. Trata-se de um estudo descritivo, observacional, transversal, com abordagem quantitativa, realizado entre os anos de 2025 e 2026. A coleta de dados ocorreu por meio da análise das fichas de matrícula das crianças atendidas no CMAEE (Parte A) e aplicação de questionário às mães de crianças com TEA atendidas no CMAEE (Parte B). Foram analisadas 166 fichas de matrículas no ano 2025 e 2026, os resultados demonstraram uma frequência de 56,6% (n=94) das crianças atendidas no CMAEE com diagnóstico de TEA, predominando 83% (n=78) em crianças do sexo masculino e a faixa etária predominante foi de 5 a 8 anos com 60% (n=56). Em relação à etapa de aplicação dos questionários junto às mães de crianças diagnosticadas com TEA (n=12), os dados evidenciaram a centralização do cuidado na figura materna e uma prevalência de sobrecarga física e psicopatológica. Observou-se que 64,3% das mães atuavam como cuidadoras principais. Foram identificados elevados índices de estresse (78,6%), ansiedade e insônia (64,3%), além de sintomas depressivos pós-diagnóstico (42,9%). Os resultados reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas para o diagnóstico precoce do TEA, o suporte multiprofissional e o acolhimento psicológico das mães cuidadoras.