DESFECHOS OBSTÉTRICOS E NEONATAIS DE PARTURIENTES COM TRANSTORNO POR USO DE SUBSTÂNCIAS
Gestação; Substâncias psicoativas; Exposição intrauterina; Saúde materno-infantil.
Drogas lícitas e ilícitas atuam no sistema nervoso central e atravessam a barreira placentária, expondo o feto a concentrações biologicamente ativas. Essa exposição está associada a desfechos obstétricos e neonatais adversos, deste modo, este estudo teve como objetivo analisar o perfil de gestantes com transtorno por uso de drogas de abuso e os desfechos obstétricos e neonatais associados à exposição intrauterina. Trata-se de um estudo observacional, transversal, realizado por meio da análise de prontuários de parturientes com transtorno por uso de substâncias psicoativas atendidas em um hospital de referência no período de janeiro a dezembro de 2024. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas, clínicas, obstétricas e neonatais. Foram analisados 1.083 prontuários de parturientes, dos quais 11 (1,02%) correspondiam a gestantes com histórico de uso de substâncias psicoativas. Observou-se predominância do uso de drogas ilícitas, com maior frequência de maconha (n=4; 36,36%), seguida por crack (n=3; 27,28%) e cocaína (n=2; 18,18%), além de registros com substância não especificada (n=2; 18,18%). Verificou-se ainda elevada ocorrência de policonsumo, especialmente associação com tabagismo (n=3; 75%) e etilismo (n=1; 25%) entre aquelas com uso concomitante registrado. Entre os desfechos obstétricos e neonatais, destacaram-se altas taxas de prematuridade (n=6; 54,5%), incluindo partos pré-termo, baixo peso ao nascer (<2500 g) (n=5; 45,4%), necessidade de internação em unidade de terapia intensiva neonatal (n=2; 18,2%) e ocorrência de óbito fetal (n=1; 9,1%). Adicionalmente, foram registrados encaminhamentos para guarda familiar ou institucional dos recém-nascido, evidenciando repercussões que extrapolam o âmbito clínico e alcançam dimensões sociais do cuidado materno-infantil. Os achados reforçam a associação entre o uso de substâncias psicoativas na gestação e desfechos materno-infantis desfavoráveis, evidenciando a necessidade de estratégias interdisciplinares que integrem assistência à saúde e suporte social para redução de danos e melhoria do cuidado pré-natal.