ANÁLISE DA APREENSÃO DE DROGAS ILÍCITAS E DA REINCIDÊNCIA PENAL
Saúde Pública; Drogas Ilícitas; Vulnerabilidade; Reincidência Criminal; Análise de Correspondência Múltipla.
O uso indevido de substâncias psicoativas constitui um desafio social de escala global, com impactos que extrapolam a esfera individual e afetam estruturas familiares, a dinâmica comunitária e a segurança pública. No Brasil, a interiorização do tráfico de drogas e a persistência da reincidência criminal evidenciam a necessidade de análises regionais que considerem as especificidades territoriais, ainda pouco exploradas pela produção científica. Diante disso, torna-se essencial compreender o perfil dos envolvidos nas apreensões de drogas ilícitas e os padrões de reincidência, a fim de subsidiar políticas públicas mais eficazes e humanizadas. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico das apreensões de drogas ilícitas e da reincidência criminal em municípios da 5ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Viçosa/MG, entre os anos de 2019 e 2024. Trata-se de uma pesquisa observacional, descritiva e de abordagem transversal, com análise retrospectiva de dados secundários provenientes da Superintendência de Informações e Inteligência do Departamento de Estatística da Polícia Civil de Minas Gerais. Os dados foram tratados no software IBM SPSS Statistics (v. 26), por meio de análises descritivas e de correspondência múltipla. Foram incluídos 3.290 registros, com predomínio de indivíduos do sexo masculino (3.071; 93,34%), solteiros (2.328; 70,75%), jovens de 18 a 22 anos (1.190; 36,17%) e com baixa escolaridade (1.115; 33,89%). A maconha (1.633; 49,63%) foi a substância mais apreendida, seguida pela cocaína (373; 11,34%) e pelo crack (283; 8,60%). Observou-se uma taxa de reincidência de 39,6% entre 2019 e 2023, com indivíduos apresentando até 11 registros distintos. As análises de correspondência múltipla indicaram conexões entre o tipo de droga, a escolaridade e a faixa etária. A maconha esteve predominantemente associada ao uso/consumo por jovens de 18 a 24 anos; a cocaína apresentou associação com o tráfico, menor escolaridade e indivíduos muito jovens (12 a 17 anos) e adultos jovens (18 a 24 anos); enquanto o crack esteve relacionado a indivíduos adultos, na faixa etária de 30 a 64 anos. Esses achados evidenciam um padrão de criminalização que recai sobre grupos socialmente vulneráveis, especialmente jovens com baixa escolaridade. A elevada reincidência aponta para a ineficiência do sistema prisional na promoção da ressocialização, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas que priorizem prevenção, educação e inclusão social, para além da lógica punitiva vigente.