PROCESSO DE (RE)CONSTRUÇÃO DO EU FEMININO PÓS-DITADURA MILITAR BRASILEIRA
Literatura brasileira; Memória; Subjetividade feminina; Ditadura civil-militar; Redemocratização.
A presente pesquisa analisa os processos de construção e reconstrução das subjetividades femininas no contexto da redemocratização brasileira, a partir do romance Canteiros de Saturno (1991), de Ana Maria Machado. O estudo investiga como a memória, o esquecimento, o silêncio e a temporalidade participam da constituição das identidades femininas, considerando as experiências das personagens Leonora, Isadora, Bárbara e Josefa/Marly. A pesquisa busca compreender de que maneira a narrativa literária articula experiências individuais e coletivas, evidenciando as marcas da ditadura civil-militar brasileira e os desafios enfrentados pelas mulheres no período pós-ditatorial. Metodologicamente, fundamenta-se em pesquisa bibliográfica e análise crítico-interpretativa da obra, estabelecendo diálogos com os estudos sobre memória de Maurice Halbwachs, Jacques Le Goff, Pierre Nora, Paul Ricoeur e Elizabeth Jelin, além das reflexões sobre gênero e subjetividade de Simone de Beauvoir e Judith Butler. A investigação examina também os recursos simbólicos e narrativos mobilizados pela autora, destacando suas relações com a elaboração das experiências históricas e a ressignificação das identidades. Ao articular literatura, memória e história, o trabalho procura evidenciar a importância da representação das experiências femininas na compreensão das relações entre subjetividade, resistência e transformações sociais no Brasil contemporâneo.