O QUE É A LITERATURA BRASILEIRA INDÍGENA E COMO TRABALHÁ-LA NA ESCOLA BÁSICA?
Ensino de Literatura Indígena; Decolonialidade; Entrelugar; Educação Intercultural; Escola Básica.
Esta dissertação analisa e propõe um trabalho docente com a obra infantojuvenil Um dia na aldeia (2010), de Daniel Munduruku, a partir de três eixos teórico-analíticos complementares: o conceito de entrelugar (Santiago; Bhabha), a perspectiva decolonial (Quijano; Mignolo; Lugones) e a ecocrítica ampliada (Potiguara; Krenak; Kopenawa). Argumenta-se que a obra não se limita a descrever o cotidiano de uma criança indígena, mas constitui um ato de insurgência epistêmica que subverte hierarquias coloniais de saber, poder e gênero ainda operantes na sociedade brasileira, especialmente por meio da linguagem, da estrutura narrativa e do posicionamento crítico que rompe com estereótipos exóticos e vitimizantes, devolvendo ao indígena a autoridade sobre sua própria representação. O trabalho docente aqui proposto se baseia na teoria da sequência didática de Zabala (1998) e Dolz e Schneuwly (2004), que organiza o ensino a partir de atividades sequenciadas e situações-problema que, neste caso, criticam o etnocentrismo branco, revelando-se um dispositivo capaz de fomentar uma consciência intercultural crítica desde o ensino fundamental.