ENTRE O ÉTICO E O AUTOMATIZADO: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA ESCRITA ACADÊMICA E O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM PERFIS DO INSTAGRAM QUE MERCANTILIZAM A ESCRITA
Discurso. Prática social. Elaboração de trabalhos acadêmico. Mercantilização do Discurso.
A venda de textos acadêmicos mobiliza estratégias discursivas de persuasão que vão para além da simples oferta de um produto, ela constrói sentidos, revela identidades e relações de poder entre o vendedor e o comprador. Nesse processo de venda, o vendedor assume a posição de autoridade discursiva, apresentando-se como detentor de conhecimento, experiência ou legitimidade, enquanto o comprador é interpelado como sujeito que sofre com as consequências do acúmulo de trabalhos, ou seja, alguém que necessita do texto para alcançar determinado objetivo, seja acadêmico, profissional ou pessoal. Com base nesse pressuposto, investigamos perfis no Instagram que comercializam trabalhos acadêmicos, deslegitimando o TCC como etapa formativa de pesquisa de caráter autoral e tratando-o como simples produto mercadológico. Sob esse viés, analisamos o corpus selecionado de perfis a partir dos pressupostos teórico-metodológicos da produção de Fairclough (2003). Os resultados parciais revelam que os discursos que perpassam os perfis se apoiam em uma concepção autônoma de letramento, que reduz a escrita à técnica e produto, desvinculando-a de seu caráter social e formativo. Também se evidencia uma ideologia contemporânea da produção técnica rápida, repercutindo a escrita acelerada, orientada pela lógica da eficiência neoliberal, que privilegia o resultado em detrimento do processo.