As violências e a insubmissa esperança em “Natalina Soledad”, “Regina Anastácia” e “Lia Gabriel
PALAVRAS-CHAVE: Escrevivência; Enfrentamento; Violência; Esperança.
Esta dissertação se propõe a analisar os contos “Natalina Soledad”, “Regina Anastácia” e “Lia Gabriel”, presentes na obra Insubmissas Lágrimas de Mulheres (2016), de Conceição Evaristo, e examinar as violências sofridas pelas personagens dos contos, dentre as quais destacam-se a psicológica, a moral, a física, a estrutural, a simbólica e a patrimonial. Também se propõe discutir a existência da esperança como uma forma de resistência e elemento essencial da trajetória de vida das mulheres protagonistas. A pesquisa situa-se no campo dos Estudos Literários, notadamente das literaturas contemporâneas por mulheres negras, à luz da crítica feminista, dos Estudos de Gênero e dos Estudos Raciais. O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar as múltiplas manifestações das violências presentes nos três contos, investigando de que maneira a esperança se constitui como forma de insubmissão, resistência e reexistência nas trajetórias das protagonistas. Pretende-se, também, compreender como a escrevivência evaristiana articula memória, gênero, raça e interseccionalidade nos três contos. Observa-se que, mesmo diante das violências sofridas pelas personagens, as narrativas sinalizam para a esperança, por meio da presença de voz e de força percebidas das mulheres-personagens, que se tornam, então, símbolos de superação nos seus contextos ficcionais.