A representação sociodiscursiva da gagueira e do sujeito gago em artigos de divulgação científica
Palavras Chave: Gago. Gagueira. Entidades Representativas. ACD – Análise Crítica do Discurso. Representação Sociodiscursiva.
O presente trabalho tem por objetivo investigar as formas pelas quais a gagueira é representada e, consequentemente, também, o sujeito gago, sob a perspectiva da Análise Crítica do Discurso (ACD). A investigação será realizada com base em artigos de divulgação científica oriundos de fontes oficiais, como o IBF – Instituto Brasileiro de Fluência, a Abra Gagueira e o Grupo Gagueira e Subjetividade, buscando analisar em que medida esses registros, por meio da materialidade linguística, revelam como a gagueira e as pessoas que gaguejam são compreendidas e caracterizadas. Para tal, utilizaremos uma pesquisa qualitativa, realizada a partir da Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001), por meio do Modelo Tridimensional (texto, prática discursiva e prática social), juntamente com a perspectiva quantitativa da Linguística de Corpus. Dessa forma levar em consideração a representação sociodiscursiva da gagueira e das pessoas que gaguejam, analisando como a esta diferença fonoarticulatória e este público são representados por meio das relações lexicais. A partir de então buscaremos compreender quais e de que maneira os discursos classificam e estigmatizam a gagueira e as pessoas que gaguejam, assim como as relações lexicais representam e fortalecem ideologias e hegemonias marcadas na e pela linguagem, consolidando preconceitos e discriminações contra este público. Os resultados demostram que a representação sociodiscursiva da gagueira e do sujeito gago, por meio da análise das relações lexicais observadas no corpus e nos três subcorpora, ao verificar a prática social, terceira dimensão do modelo tridimensional, no que se refere às relações lexicais do IBF, há manutenção de estigmas, estereótipos, que desqualificam, inferiorizam e depreciam a gagueira e as pessoas que gaguejam por meio de ideologias e hegemonias. Tais traços ideológicos e hegemônicos podem ser observados pela pedagogia tradicional, que prioriza a velocidade e a precisão na leitura em voz alta e hegemonia linguística e cultural que marginaliza narrativas não fluentes, pois denotam aspectos negativos, contraproducentes e desfavoráveis à gagueira e as pessoas que gaguejam reforçando estigmas e estereótipos. Na sequência, as análises das relações lexicais da Abra Gagueira manifestam traços de manutenção e contraposição. Os sinais de manutenção são expostos, pois as relações lexicais apresentam pontos convergentes com o IBF – Instituto Brasileiro de Fluência, e contraposição pois há léxicos que semantizam a gagueira como algo natural e inerente ao ser humano. Logo em seguida, há a contraposição de modo claro, nas relações lexicais da entidade Gagueira e Subjetividade. O próprio nome da instituição já é uma marca de contraposição, pois remete a gagueira um caráter de singularidade e individualidade diferentemente de doença, distúrbio e transtorno e desordem, por exemplo.