TDAH ENTRE DENÚNCIA E SUBVERSÃO
Contribuições para o enfrentamento da medicalização da Educação a partir da psicanálise
medicalização; psicanálise e educação; transtorno da falta de atenção com hiperatividade; sofrimento psíquico; educação profissional e tecnológica.
A dissertação investiga, a partir do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), as possíveis contribuições da psicanálise para o enfrentamento da tendência contemporânea à medicalização no contexto escolar. A pesquisa parte de uma questão formulada a partir da experiência profissional do pesquisador em um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF): de que modo a psicanálise, desde seus pressupostos éticos, políticos, conceituais e metodológicos, pode oferecer subsídios para fazer frente à medicalização na escola? Sua relevância reside na crescente centralidade assumida pelos diagnósticos psiquiátricos na interpretação e no encaminhamento de questões que emergem no cotidiano escolar. Desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e análise documental, orientadas pela perspectiva da psicanálise em extensão e em interlocução com aportes da história e da linguística, a investigação examina as condições históricas, culturais e ideológicas implicadas na consolidação do TDAH como categoria diagnóstica hegemônica e analisa os efeitos da difusão do discurso biomédico sobre as políticas educacionais e as práticas escolares, com especial atenção à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. O percurso analítico distingue a concepção médica de sintoma da noção psicanalítica de formação do inconsciente e recoloca em primeiro plano a circulação da palavra e a singularidade do sujeito diante das manifestações que se produzem no contexto escolar. Sustenta-se que a contribuição da psicanálise não consiste em substituir os saberes pedagógicos ou médicos, tampouco em oferecer novos protocolos de intervenção, mas em sustentar uma posição ética capaz de ampliar as possibilidades de abordagem do sofrimento que se apresenta na escola, valorizando a escuta e a subjetividade. A pesquisa contribui, desse modo, para o debate sobre a medicalização da educação, em especial no âmbito da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, situando o campo da inclusão escolar como horizonte fecundo de investigações futuras.