Maternidade e Vida Acadêmica: Reflexões com base na Psicologia Histórico-Cultural
Maternidade; Universidade; Psicologia Histórico-Cultural
A experiência de ser mãe no contexto universitário é atravessada por desafios institucionais, estruturais e de gênero, historicamente constituídos e que tendem a invisibilizar a maternidade nos espaços acadêmicos. Tais desafios contribuem para a diminuição progressiva da participação feminina na ciência à medida que a carreira acadêmica avança, evidenciando desigualdades que se aprofundam especialmente no período da maternidade. Nesse sentido, o lugar da mulher na ciência demanda reflexão crítica, considerando as condições concretas vividas pelas alunas-mães em seus percursos acadêmicos, uma vez que a maternidade pode ser compreendida como uma atividade essencial à reprodução da vida e à manutenção das relações de poder na sociedade capitalista. Ancorado nos pressupostos da Psicologia Histórico-Cultural, o presente trabalho buscou analisar as vivências da maternidade durante o percurso acadêmico, a partir dos conceitos de perejivanie, drama e emoção, compreendidos como categorias fundamentais para a apreensão da relação dialética entre sujeito e realidade. Para tanto, realizou-se uma análise crítica da literatura, articulada a uma pesquisa de campo de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de entrevistas com alunas-mães, cujos dados foram analisados a partir do método dos Núcleos de Significação. Os resultados indicam que a maternidade vivenciada no contexto universitário se configura como uma experiência eminentemente dramática, marcada por rupturas, tensões e reorganizações subjetivas, que impactam o seu desenvolvimento enquanto sujeito. O drama vivido pelas alunas-mães é intensificado pelas condições concretas, especialmente pela ausência ou fragilidade de políticas institucionais de permanência, acolhimento e apoio à maternidade, o que impõe a essas mulheres constantes tomadas de decisão que impactam tanto sua trajetória acadêmica quanto sua vida pessoal e familiar. Tais vivências mobilizam emoções que podem ampliar ou reduzir a potência de ação dessas mulheres. Em contextos institucionais que não reconhecem a maternidade como parte legítima da experiência universitária, predominam emoções associadas a inadequação, culpa e isolamento, o que fragiliza a potência de ação coletiva das alunas-mães. Diante disso, evidencia-se a necessidade de construção e fortalecimento de espaços coletivos nas universidades, que possibilitem o reconhecimento, a organização e a participação das mulheres mães como pertencentes ao espaço acadêmico, visando à diminuição das desigualdades de gênero e à redução do abismo entre esses dois mundos.