Banca de DEFESA: LARISSA CRISTINE OLIVEIRA RIBEIRO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LARISSA CRISTINE OLIVEIRA RIBEIRO
DATA : 18/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: On-line
TÍTULO:

Somos todas Ponciá Vicêncio?: Escrevivências em uma prática de Biblioterapia de inspiração decolonial


PALAVRAS-CHAVES:

Biblioterapia, escrevivência, mulheres negras, saúde mental.


PÁGINAS: 117
RESUMO:

O termo Escrevivência foi concebido pela autora Conceição Evaristo em sua dissertação de mestrado para abordar a temática da Literatura Negra. Assim, configurou-se como um conceito literário com a premissa de enfatizar as narrativas de mulheres negras, abordando tanto suas realidades individuais quanto coletivas, geradas pelas condições sociais destinadas à população negra. Nesse viés, esta pesquisa utilizou a Escrevivência como recurso metodológico na prática da Biblioterapia com um grupo de mulheres negras, por meio do uso do livro Ponciá Vicêncio, também de Conceição Evaristo. A Biblioterapia, por sua vez, refere-se ao cuidado terapêutico a partir do uso de livros para a promoção da saúde mental, tornando-se campo científico a partir de 1930. No Brasil, a prática começou a se consolidar em meados dos anos 2000, no curso de Biblioteconomia, expandindo-se rapidamente para outras áreas, como a Psicologia. Contudo, ainda se configura como um campo embranquecido, uma vez que as questões raciais foram articuladas apenas em um dos artigos presentes nos principais repositórios de pesquisa brasileiros. Diante disso, o objetivo central deste trabalho foi investigar como a incorporação da Escrevivência poderia contribuir para a prática da Biblioterapia voltada para mulheres negras, analisando como as participantes se apropriam da narrativa do livro Ponciá Vicêncio por meio dos processos de catarse, identificação e introspecção, próprios da Biblioterapia. Para tanto, foram realizados seis encontros com um grupo de mulheres negras do município de São João del-Rei (MG) e, em cada um deles, ocorreu a leitura coletiva de um trecho do livro proposto. Após a leitura, as mulheres apresentaram as suas impressões, articulando a narrativa da obra com suas próprias vivências. Ao final de cada encontro, cada participante elaborou uma Escrevivência, refletindo sobre quais foram os impactos gerados pela leitura. Por isso, este estudo se fundamentou nas perspectivas do feminismo negro e decolonial. Os resultados demonstraram que ocorreram processos de catarse - como risos, choros, silêncio -, além da elaboração das emoções pela escrita das escrevivências. Também ocorreram a identificação com os personagens e a introspecção em torno de aspectos relacionados às vivências de racismo e à compreensão da importância da memória e da ancestralidade para o cuidado em saúde mental da população negra – a partir do aquilombamento, e não apenas de concepções criadas pela colonialidade. Como conclusão, evidenciou-se a fecundidade da Escrevivência como recurso metodológico potencializador de uma prática de Biblioterapia de inspiração decolonial.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 2117285 - CASSIA BEATRIZ BATISTA E SILVA
Presidente - 2361692 - ISABELA SARAIVA DE QUEIROZ
Externa à Instituição - JAÍZA POLLYANA DIAS DA CRUZ ROCHA - PUCMinas
Externo ao Programa - 1084893 - JOSE RODRIGUES DE ALVARENGA FILHO
Notícia cadastrada em: 21/08/2026 14:57
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