Topologia do gozo: entre a lógica e a matemática
Formalização; Gozo; Psicanálise; Teoria dos conjuntos; Topologia
Este trabalho investiga em que condições as propriedades formais de estruturas topológicas podem funcionar como interpretantes da escrita do gozo no ensino de Jacques Lacan. A questão central consiste em interrogar quais propriedades matemáticas uma estrutura deve possuir para que nela sejam verdadeiras as proposições fundamentais sobre o gozo formuladas pelo autor. Trata-se de uma pesquisa teórico-conceitual em psicanálise, orientada pela leitura situada dos textos lacanianos e pela reconstrução das operações que sustentam a formação e a transformação dos conceitos. Inicialmente, examina-se o projeto lacaniano de formalização em sua relação com a ciência moderna e com o estruturalismo, situando a passagem de uma concepção substancial dos objetos para sua determinação relacional. Em seguida, aborda-se a estrutura significante com apoio na teoria dos conjuntos, discutindo operações axiomáticas que permitem interrogar a constituição do sujeito, a repetição, a consistência do Outro e a impossibilidade de sua totalização. Esse percurso estabelece as bases para investigar propriedades como compacidade, borda, conexidade e não orientabilidade enquanto conceitos matemáticos cuja pertinência à leitura das formulações lacanianas sobre o gozo deve ser examinada. Sustenta-se, como hipótese de trabalho, que a topologia pode oferecer estruturas interpretativas para essas formulações, permitindo explicitar suas relações e consequências lógicas. Busca-se, assim, delimitar as condições e os limites dessa interpretação formal, considerando as articulações entre significante, falta, repetição e perda de gozo.