Agência e ativismo de mulheres prostitutas no Brasil: movimentos sociais, direitos humanos e regulamentação da profissão
Trabalho sexual, movimento social, sujeito político, regulamentação da prostituição.
Os coletivos organizados de trabalhadoras sexuais são uma realidade há mais de 30 anos no Brasil. Por meio de redes em níveis nacionais e regionais extremamente articuladas, mulheres trans, cis e travestis afirmam suas presenças políticas nos espaços de participação social e no cotidiano das ruas/cidades, construindo um imprescindível debate acerca das mulheridades possíveis dentro da luta feminista e de seu alcance para o acesso a Direitos Humanos e Sociais no país. Estes movimentos geraram uma série de trabalhos, pesquisas, projetos e manifestações que discutem a necessidade de se estabelecer a prostituição enquanto um processo laboral e regulamentado, deslocando discussões sociais produzidas hierarquicamente acerca do gênero, da sexualidade, dos modos de trabalho e das vunerabilizações, debates estes constantemente higienizados nos campos culturais e na construção de políticas públicas. Assim, a presente pesquisa busca discutir a atuação de mulheres prostitutas nos movimentos sociais do Brasil e suas tentativas de regulamentação da profissão, bem como seus processos de agência frente às violações de Direitos Humanos e à consolidação e afirmação do trabalho sexual no Brasil. Por meio de entrevistas semi-estruturadas, serão entrevistadas seis trabalhadoras sexuais que são vinculadas ou fundaram movimentos sociais de prostitutas no Brasil. Os dados serão analisados e discutidos a partir do campo de estudos pós-estruturalista, decolonial e feminista, apoiando-se também em debates de pesquisadoras prostitutas.