VALIDAÇÃO DA ESCALA DE ADESÃO A MEDICAMENTOS PSICOTRÓPICOS MARS – MEDICATION ADHERENCE RATING SCALE
Adesão ao tratamento; Saúde mental; Psicometria; Validação de instrumentos; escala MARS.
RESUMO
Os transtornos mentais configuram-se como um relevante problema de saúde pública, em função de sua elevada prevalência, impacto funcional e custos associados. Nesse contexto, a adesão ao tratamento medicamentoso constitui um dos principais determinantes dos desfechos clínicos, sendo sua avaliação fundamental para o planejamento de intervenções eficazes. A Escala de Adesão a Medicamentos Psicotrópicos (MARS) é um instrumento amplamente utilizado para mensurar a adesão à medicação psicotrópica, contemplando dimensões comportamentais e atitudinais. Embora previamente adaptada para o contexto brasileiro e com evidências de fidedignidade estabelecidas, ainda se fazia necessária a ampliação de suas evidências de validade. O presente estudo teve como objetivo avaliar as propriedades psicométricas da versão brasileira da MARS, com ênfase na estrutura interna, nas relações com outras variáveis e na validade de critério. Trata-se de um estudo transversal, realizado com pacientes em acompanhamento em serviço de saúde mental, no qual foram utilizados, além da MARS, a Escala para Avaliação do Insight – versão expandida (SAI-E), a Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido (EMSSP), bem como dados clínicos, sociodemográficos e dosagem sérica de lítio. As análises incluíram procedimentos descritivos, avaliação da normalidade, investigação da estrutura interna, consistência interna e análise das associações entre as variáveis. Os resultados evidenciaram que a MARS apresenta estrutura multidimensional e consistência interna compatível com instrumentos curtos compostos por itens dicotômicos. No que se refere às evidências de validade baseadas na relação com outras variáveis, foi observada associação estatisticamente significativa com o suporte social percebido, em consonância com o referencial teórico da adesão. Adicionalmente, foram identificadas associações de baixa magnitude com variáveis clínicas selecionadas, indicando sensibilidade do instrumento para captar aspectos relevantes do comportamento de adesão. No que se refere à validade de critério, os achados sugerem limitações na utilização da litemia como indicador isolado de adesão no contexto estudado. Em conjunto, os resultados indicam que a escala MARS apresenta propriedades psicométricas adequadas e utilidade para a avaliação da adesão ao tratamento medicamentoso em pacientes com transtornos mentais no contexto brasileiro, contribuindo para o avanço das investigações na área e para o aprimoramento das práticas clínicas.